EM ACCRA
Primeira Dama de Angola defende integração económica inclusiva
O verdadeiro sucesso e a longevidade da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) dependerão da capacidade de garantir uma integração económica inclusiva, justa e amplamente participativa, com especial atenção às mulheres, aos jovens e ao vasto sector informal africano.
A posição foi defendida pela Primeira Dama da República, Ana Dias Lourenço, na quarta-feira, 4 de Fevereiro, durante a sua intervenção nos Diálogos sobre a Prosperidade de África (APD) 2026, que decorrem sob o lema “Empoderar as PME, Mulheres e Jovens no Mercado Único Africano”, no Centro Internacional de Conferências de Accra, no Ghana.
Momentos antes da sua intervenção, Ana Dias Lourenço foi homenageada com um poema intitulado “Mãe das Nações”, em reconhecimento ao seu percurso público e ao seu contributo para a promoção do desenvolvimento inclusivo em África.
O poema, declamado de forma eloquente por uma menina poetiza ganense, Nakeeyat Dramani Sam, emocionou os presentes, especialmente a Primeira Dama de Angola, pela descrição efusiva do seu papel na defesa do empoderamento das mulheres, da educação das raparigas e da coesão social, bem como na liderança da Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento (OAFLAD).
Durante a sua intervenção, Ana Dias Lourenço alertou que, para o cumprimento efectivo dos objectivos da Zona de Comércio Livre Continental Africana, é fundamental integrar o sector informal, que, apesar de frequentemente invisível nas estatísticas oficiais, garante a subsistência de milhões de famílias africanas.
Ana Dias Lourenço entende que a Zona de Comércio Livre Continental Africana não deve ser encarada apenas como um acordo “técnico ou um conjunto de protocolos “burocráticos”, mas como um instrumento estratégico capaz de transformar o potencial económico, cultural e humano do continente em prosperidade partilhada e sustentável.
No mesmo contexto, destacou o papel central do Protocolo sobre Mulheres e Jovens no Comércio, considerando-o inalienável no quadro da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
“A inclusão económica não acontece de forma automática ou por mero decreto. Ela exige a implementação de políticas activas, a adopção de medidas correctivas e uma abordagem consciente e persistente, para ultrapassar as desigualdades históricas e estruturais que continuam, infelizmente, a limitar a participação plena de mulheres e jovens na economia formal e no comércio intra-africano”, disse.
A Primeira Dama destacou igualmente as barreiras linguísticas, que ainda condicionam o comércio intra-africano e recomendou a promoção da formação linguística, como instrumento essencial para reforçar o diálogo, a confiança e a negociação entre os povos africanos.
“A nossa vasta diversidade linguística é uma riqueza cultural incomensurável, mas não deve ser considerada como um obstáculo à nossa união económica”, acrescentou.
Ao referir-se a Angola, Ana Dias Lourenço reafirmou que o investimento no capital humano continuará a ser uma prioridade estratégica do Executivo, sobretudo no contexto da actual transformação económica.
Segundo a Primeira Dama de Angola, o eixo central do desenvolvimento angolano assenta em sectores como a agricultura, indústria, energias renováveis, economia digital e a inovação tecnológica, considerados fundamentais para a criação de emprego e para a redução das vulnerabilidades externas do país.
Neste contexto, Ana Dias Lourenço falou sobre a importância do acesso da mulher camponesa africana a tecnologias verdes e a conhecimentos que assegurem a protecção da terra e a segurança alimentar.
Na ocasião, também partilhou iniciativas desenvolvidas pela Fundação Ngana Zenza para o Desenvolvimento Comunitário, criado em 2018, como a plataforma “Transforme Vidas, Seja Mulher”, orientada para o empoderamento de jovens mulheres, e a implementação do Campus Juvenil do Cunene, vocacionado para a formação em liderança, capacitação profissional e participação cívica.
Apesar dos progressos registados, a Primeira Dama de Angola reconheceu que muitas mulheres continuam a operar em sectores de menor rentabilidade e enfrentam barreiras culturais profundas, pelo que defendeu, por isso, a transversalização da perspectiva de género desde a concepção das políticas públicas até à sua implementação, como condição essencial para garantir igualdade de oportunidades.
“Investir nas mulheres e nos jovens não é um gesto simbólico; é uma decisão estratégica para garantir economias mais fortes, sociedades mais justas e um futuro africano de prosperidade verdadeiramente partilhada”, sublinhou Ana Dias Lourenço.
A conferência, que termina amanhã, 06 de Fevereiro, conta com uma agenda de painéis, relevantes à construção efectiva de um mercado comum africano.